As pessoas voltaram a cozinhar, e você?

Nestes tempos de confinamento, quarentena, distanciamento, de “ficar em casa”, estamos todos aprendendo, reaprendendo a conviver com o básico, com o que era importante lá no início e, por contingência do dia-a-dia fomos delegando, esquecendo…

O fato de acordarmos de manhã e não termos opção, temos que ficar em casa, cuidar dos nossos filhos, cuidar da nossa casa e principalmente, reaprender a nos relacionarmos com a família.

Cuidar do cardápio, dos insumos, e da própria refeição já não era coisa tão importante. Passamos a mandar os filhos para a escola, onde fazem a maior parte das refeições, ir trabalhar onde fazemos nossas refeições em restaurantes ou mesmo na empresa nos desobrigou a pensar nisto, pelo menos não todos os dias…

Esta nova condição está nos obrigando a abrir as gavetas e armários e ver qual o arsenal que temos para enfrentar mais este desafio.

Alguns tem esta paixão pela cozinha e, sempre que possível arriscavam novos pratos para a família e amigos, outros, nem sempre foram a adeptos às artes da cozinha.

Hoje podemos ver claramente que para que para o resgate do convívio familiar, a arte de “pilotar o fogão” a muitas mãos pode ser uma boa estratégia para sairmos favorecidos desta crise.

Cozinhar tem um significado todo especial na vida em família, desde a infância.

Nas minhas aulas de gastronomia, faço uma introdução apaixonada à arte da culinária e da gastronomia, é muito legal ver os alunos deixando os celulares e notebooks para ver meus olhos brilhando quando falo em Nutrição como
Ciência e Gastronomia como Arte. Não demora peço para eles fecharem os olhos e lembrarem do melhor sabor que tiveram em suas vidas. E peço para falarem quais são. E ouço: a macarronada da minha mãe, o frango com polenta da minha avó, o churrasco do meu pai, a moqueca da minha mãe… As memórias afetivas afloram junto com os sabores que ressurgem na boca a fazendo salivar, o cheirinho daquele prato volta às narinas e até o som da cozinha e da família volta a nossa mente…

Sim, é isto que devemos criar agora, nossas memórias, nesta oportunidade única de viver e conviver. 

Reaprender a cozinha, e não falo de receitas mirabolantes, de doces exóticos, falo do dia-a-dia, construindo novos hábitos de alimentação saudáveis:

  • Higiene dos produtos assim que chegam em casa, higiene em todo o processo de preparação das refeições.
  • Fazer um livro de receitas, copiar as receitas de família, aquelas que você mais gosta e vai ver, geralmente são receitas simples, carregadas de histórias.
  • Assista aulas online para ter uma base de culinária e gastronomia, ou mesmo baixem um bom livro básico de gastronomia.
  • Faça da hora de elaboração do cardápio participativo uma hora de encontro com a família, onde cada um se encarregará de uma função: os mais novos podem ir comprar os insumos lembrando de valorizar os pequenos produtores locais, outros podem se encarregar de fazer uma pequena horta em casa, outros de higienizar as compras e armazená-las adequadamente e outros dividirão o fogão. 
  • E, se possível, deixe a “mamma” em uma cadeira orientando e admirando sua família, nem que seja virtualmente.

São tempos difíceis para todo mundo, mas é nas crises que nos renovamos e saímos mais fortes!

MARLISE POTRICK STEFANI 

NUTRIÇÃO | GERIATRIA | COACHING | 

QUALIDADE DE VIDA | GASTRONOMIA