O pior já passou?

Todos nós vivemos nos últimos quarenta dias períodos de incredulidade, períodos de medos, períodos de desespero, períodos de monotonia e de muita insegurança.

Aos poucos, muitos hábitos foram se inserindo na nossa vida.

Etiqueta respiratória, higiene dos sapatos, higiene das roupas, higiene da casa, higiene dos alimentos.

Com certeza, isto tudo mudou para melhor, pois as doenças bacterianas e virais sempre estiveram por aí.

Quem não lembra dos sapatos do lado de fora da porta da casa da nossa avó?

Quem não lembra do avô sempre com um lenço no bolso?

Quem não lembra da nossa mãe colocando as roupas no sol?

Estes hábitos já existiam, nós é que fomos deixando de seguir estas regras que sempre foram tão importantes.

Hoje, o governo está flexibilizando a economia e aos poucos as pessoas estão tendo que sair de casa novamente.

Com medo, com euforia, cada um da sua forma vai ter que voltar ao mercado de trabalho. Com emprego ou sem emprego, a vida vai continuar. O vírus vai continuar aí também, nos rondando.

O que posso fazer então?

Primeiro, você deve fazer uma relação do que é importante você fazer para evitar uma possível contaminação, em casa ou fora e como manter os hábitos no seu dia-a-dia.

CASA

Sua casa deve continuar sendo aberta diariamente, arejada, limpa e, principalmente as bancadas de cozinha limpas com álcool 70 após o uso.

Seus calçados devem continuar ficando pelo lado de fora da casa, suas roupas usadas na rua lavadas assim que chegar em casa.

TRABALHO

Para ir ao trabalho, você deve sair de casa de máscara, deve ter álcool gel na bolsa, no carro, no seu posto de trabalho e usá-lo constantemente.

Mesmo que você tenha intimidade com os colegas, não deixe de usar a máscara, principalmente se você tiver contato direto com os clientes.

Tenha também um spray de álcool 70 e higienize constantemente sua área de trabalho. Não fique neurótico, divirta-se com isto, combine a cor da máscara com a sua roupa, combine a cor do seu spray de álcool 70 com o frasco de álcool gel. Os meus, é claro, são todos cor-de-rosa… amo.

LAZER

Bem, se há uma coisa que você deve ter aprendido nesta época de quarentena é que aglomerações não são uma boa opção em época de pandemia. Se o seu lazer era ir a pubs, festas, e outras diversões com um grande número de pessoas, esqueça! O lazer ideal é o que você aprendeu nestes dias, ler um bom livro, assistir bons filmes, curtir a casa e a família.

ALIMENTAÇÃO

Bem, chegou a grande hora, subir na balança, medir a sua circunferência abdominal e verificar o estrago de tantos dias em casa… Muitos dias sem atividade física… Uma coisa é certa: você precisa voltar para o seu ritmo, alimentação equilibrada ( agora mais do que nunca!!!) e atividade adequada.

Vamos guardar as forminhas de cupcakes, as formas de bolo e encher a nossa casa de frutas, verduras e legumes.

O que o seu corpo precisa agora?

De alimentos reguladores, é como chamamos as fibras, vitaminas e sais minerais. E isto só encontramos nestes alimentos, portanto, coloque em cada refeição muita cor:

CAFÉ DA MANHÃ: frutas, sucos

LANCHES: frutas e iogurtes

ALMOÇO E JANTAR: saladas, legumes, frutas e sucos

Se você já tem uma orientação alimentar, volte a segui-la, busque ajuda profissional, presencial ou online, tudo é válido nesta hora.

Aos que tem mais de 60 anos, a regra ainda é ficar em casa.

Temos mais alguns meses difíceis pela frente, acredite.

Você precisar acreditar que não vamos voltar ao normal, vamos fazer um caminho novo, mais cuidadoso, mais saudável e humano.

MARLISE POTRICK STEFANI 

NUTRIÇÃO | GERIATRIA | COACHING | 

QUALIDADE DE VIDA | GASTRONOMIA

As pessoas voltaram a cozinhar, e você?

Nestes tempos de confinamento, quarentena, distanciamento, de “ficar em casa”, estamos todos aprendendo, reaprendendo a conviver com o básico, com o que era importante lá no início e, por contingência do dia-a-dia fomos delegando, esquecendo…

O fato de acordarmos de manhã e não termos opção, temos que ficar em casa, cuidar dos nossos filhos, cuidar da nossa casa e principalmente, reaprender a nos relacionarmos com a família.

Cuidar do cardápio, dos insumos, e da própria refeição já não era coisa tão importante. Passamos a mandar os filhos para a escola, onde fazem a maior parte das refeições, ir trabalhar onde fazemos nossas refeições em restaurantes ou mesmo na empresa nos desobrigou a pensar nisto, pelo menos não todos os dias…

Esta nova condição está nos obrigando a abrir as gavetas e armários e ver qual o arsenal que temos para enfrentar mais este desafio.

Alguns tem esta paixão pela cozinha e, sempre que possível arriscavam novos pratos para a família e amigos, outros, nem sempre foram a adeptos às artes da cozinha.

Hoje podemos ver claramente que para que para o resgate do convívio familiar, a arte de “pilotar o fogão” a muitas mãos pode ser uma boa estratégia para sairmos favorecidos desta crise.

Cozinhar tem um significado todo especial na vida em família, desde a infância.

Nas minhas aulas de gastronomia, faço uma introdução apaixonada à arte da culinária e da gastronomia, é muito legal ver os alunos deixando os celulares e notebooks para ver meus olhos brilhando quando falo em Nutrição como
Ciência e Gastronomia como Arte. Não demora peço para eles fecharem os olhos e lembrarem do melhor sabor que tiveram em suas vidas. E peço para falarem quais são. E ouço: a macarronada da minha mãe, o frango com polenta da minha avó, o churrasco do meu pai, a moqueca da minha mãe… As memórias afetivas afloram junto com os sabores que ressurgem na boca a fazendo salivar, o cheirinho daquele prato volta às narinas e até o som da cozinha e da família volta a nossa mente…

Sim, é isto que devemos criar agora, nossas memórias, nesta oportunidade única de viver e conviver. 

Reaprender a cozinha, e não falo de receitas mirabolantes, de doces exóticos, falo do dia-a-dia, construindo novos hábitos de alimentação saudáveis:

  • Higiene dos produtos assim que chegam em casa, higiene em todo o processo de preparação das refeições.
  • Fazer um livro de receitas, copiar as receitas de família, aquelas que você mais gosta e vai ver, geralmente são receitas simples, carregadas de histórias.
  • Assista aulas online para ter uma base de culinária e gastronomia, ou mesmo baixem um bom livro básico de gastronomia.
  • Faça da hora de elaboração do cardápio participativo uma hora de encontro com a família, onde cada um se encarregará de uma função: os mais novos podem ir comprar os insumos lembrando de valorizar os pequenos produtores locais, outros podem se encarregar de fazer uma pequena horta em casa, outros de higienizar as compras e armazená-las adequadamente e outros dividirão o fogão. 
  • E, se possível, deixe a “mamma” em uma cadeira orientando e admirando sua família, nem que seja virtualmente.

São tempos difíceis para todo mundo, mas é nas crises que nos renovamos e saímos mais fortes!

MARLISE POTRICK STEFANI 

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QUALIDADE DE VIDA | GASTRONOMIA

Uma Páscoa diferente…

Quando eu era criança, a Páscoa iniciava realmente na Sexta-Feira Santa, com idas a igreja a noite, sem missas. Me parecia um pouco estranho aquilo tudo. Mas no domingo levantávamos e íamos a missa e pronto, tudo tinha voltado ao normal. Família reunida, churrasco na volta, um coelho de chocolate me esperava. Todos os anos eu ganhava o mesmo coelho de chocolate, de orelhas grande ( que eu comia ainda no domingo) e pedacinhos de chocolate branco que eu degustava devagarinho, pois sabia que só teria outro dali a um ano…

O tempo foi passando e a minha maneira de ver a Páscoa mudou, seguia os ritos da família mas não dava tanto valor. Quando vieram os filhos, a Páscoa voltou a ter cor e a casa encheu-se de pegadinhas de coelho, de panelas com restinhos de amendoim que enchiam cascas de ovos que ficávamos guardando durante um mês, e o domingo de Páscoa? Ah, este tinha um gosto melhor ainda, pois com a família crescendo, com os gritos das crianças, era realmente um dia muito feliz.

Os filhos cresceram e as famílias foram se renovando, mesmo tentando manter as tradições da Páscoa, mantivemos os almoços com marcela e ovos de Páscoa, mas o essencial que era ir a missa e rezar por uma renovação no mundo, por vezes ficava para trás.

Este ano a Páscoa realmente é diferente. Não temos mais a escolha de reunir a família, não temos a escolha de ir a missa, não temos a escolha de ir e vir sem colocar as pessoas em risco. 

Mas temos a escolha de ficarmos quietinhos em casa, de rezarmos para a renovação do mundo. De fazermos nossos ninhos caseiros e cheios de amor em casa e ofertarmos a quem amamos o principal: o amor.

Uma Páscoa diferente, mas de alguma forma aquele coelhinho da infância chegou até mim, e, com parcimônia, vou comer hoje só as orelhas, nunca se sabe o dia de amanhã…

Feliz e Abençoada Páscoa para você e a sua família!

MARLISE POTRICK STEFANI 

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