Uma alimentação saudável começa na infância?

O alimento é o combustível do nosso corpo. Durante a infância, a alimentação tem também o papel de promover o crescimento e o desenvolvimento da criança. A formação de adultos saudáveis deve começar ainda na infância, incentivando a criança a se cuidar desde cedo. A importância de uma alimentação balanceada deve ser passada a ela já nos primeiros anos de vida. E isso cabe aos pais, avós e professores. 

   Amamentação 

   O primeiro contato que temos com o alimento é o leite materno. Este, contém todos os ingredientes que a criança precisa nos primeiros seis meses de vida: 

  • Água em quantidade suficiente – o bebê que apenas mama no seio, não precisa tomar mais nada – seja água, chá… – evitando, assim, possíveis crises de cólica; 
  • Contém proteínas, vitaminas e gordura em quantidades suficientes e adequadas à criança; 
  • Protege a criança contra infecções – como diarréia e pneumonia -, além de alergias; 
  • Possui anticorpos, leucócitos e outros fatores anti-infecciosos, que protegem contra a maioria das bactérias e vírus. 

   Mas não é só a criança que sai ganhando. A mulher que amamenta tem menos riscos de contrair câncer de mama e ovário, anemia por deficiência de ferro e fratura do quadril. 

   Desmame e Primeira infância 

   O desmame acontece, geralmente, a partir do 6º mês de vida. Ali iniciam uma a duas refeições, tipo “papinha”, em que teríamos um legume triturado e coado, caldo de carne, raspas de frutas como sobremesa e dois lanches intercalados entre as refeições. Frutas e água nos intervalos. Lembrando que todo esse processo deve ser acompanhado por um pediatra que vai avaliar não só a alimentação, como o desenvolvimento pondero-estatural e acompanhamento da saúde da criança.   A partir daí, devem ser introduzidos vegetais, frutas e carnes, mas um de cada vez, para evitarmos alergias. Tudo sem gordura e sal. 

   Quando a criança atingir os dois anos, pode começar a ter uma alimentação balanceada – as refeições devem conter uma boa dose de vitaminas e minerais – três a quatro copos de leite ou outra fonte de cálcio; no almoço e no jantar uma carne (vermelha, frango ou peixe), que fornece a quantidade ideal de proteína. 

   Balas, doces, refrigerantes e fast-foods 

   Esses deveriam ser alimentos restritos não só para as crianças, mas também para nós, adultos. Não há, sequer, uma quantidade saudável. Lactentes jamais devem comer; crianças que estiverem na primeira ou segunda infância, devem comer com muita moderação. 

   Claro que isso é um hábito que se inicia em casa. O ideal é que toda a família tenha hábitos saudáveis. 

   Outro problema que assombra médicos e nutricionistas são os lanches na escola.  Para esta refeição, a criança deve ingerir, preferencialmente, frutas e sanduíches saudáveis. 

   O que fazer e o que não fazer 

  Existem algumas recomendações básicas que devem ser seguidas pelos pais quando começarem a introduzir alimentos sólidos nas refeições de seus filhos: 

  • Evite consumo excessivo de sal, açúcar e condimentos; 
  • Ofereça sempre alimentos diversificados, controle a quantidade que será ingerida para que não ocorra excessos; 
  • Estimule o consumo de frutas, verduras e cereais; 
  • Faça pelo menos 5 refeições ao dia (desjejum, lanche, almoço, lanche da tarde, jantar) poderá ser acrescido de ceia; 
  • Evite o consumo de alimentos muito ricos em gorduras ou colesterol, reduzindo o consumo de frituras, carnes gordurosas, vísceras, banha; 
  • Introduza novos alimentos à rotina das crianças pouco a pouco, se algum alimento não agradar, não insista, mas tente outra vez em outra oportunidade explicando que usou nova preparação e importância de cada alimento; 
  • Sirva porções pequenas e fáceis de comer; 
  • É durante a infância que os hábitos alimentares são formados, é nesta fase que o ser humano inicia a autonomia para selecionar, que quer e recusar o que não quer. E isto deve ser respeitado. 
  • Não use alimento como castigo ou como recompensa para não confundi-los com os motivos reais da boa alimentação; 
  • Prepare as crianças antes de cada refeição para que estejam limpas e tranqüilas à mesa; 
  • O ambiente das refeições deve ser sempre cordial. Não aproveite este momento para aplicar sanções ou resolver problemas que causem atritos; 
  • Todas as crianças, independente da fase que estão passando, seja bebê, pré-escolar, escolar, adolescente, podem sofrer variantes em seu interesse por alimentos, sejam eles falta de apetite, gula, falsa intolerância, preferencias por determinados alimentos, etc.; 
  • Cada criança é um universo e como tal deve ser respeitada dentro de suas preferências e hábitos. O importante é mostrar que o alimento saudável deixa-a imune a doenças e revigora seu corpo para o desempenho de todas as atividades que ela quiser desempenhar. 

   Não se esqueça que os pequenos aprendem pelo exemplo, ou seja, a família deve seguir, pelo menos na frente da criança, os padrões ou conduta que quer que ela aprenda. 

MARLISE POTRICK STEFANI 

NUTRIÇÃO | GERIATRIA | COACHING | 

QUALIDADE DE VIDA | GASTRONOMIA